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O que você deixa para trás quando visita? Conheça o turismo regenerativo que está mudando a forma de viajar

Você chega.

Fotografa.

Come.

Dorme.

Compra alguma lembrança.

E vai embora.

Durante décadas, essa foi praticamente a lógica do turismo: o destino oferece uma experiência e o viajante a consome.

Mas uma pergunta começa a ganhar espaço em uma nova maneira de pensar as viagens:

Depois que você vai embora, o lugar ficou melhor, igual ou pior por ter recebido a sua visita?

É dessa inquietação que nasce uma das discussões mais interessantes do turismo contemporâneo: o turismo regenerativo.

Ele vai além da ideia de simplesmente causar menos impacto. Propõe que a viagem possa contribuir positivamente para o território visitado,  fortalecendo comunidades, valorizando culturas locais e ajudando na conservação da natureza.

E isso não precisa significar passar as férias trabalhando ou plantando árvores.

Às vezes, começa simplesmente pela escolha de onde dormir, com quem fazer um passeio, onde comer e para onde vai o dinheiro gasto durante a viagem.

Turismo sustentável e regenerativo são a mesma coisa?

Não exatamente.

De maneira simplificada, o turismo sustentável procura reduzir os impactos negativos provocados pela atividade turística.

Economizar água.

Reduzir resíduos.

Evitar degradação ambiental.

Respeitar comunidades.

Controlar o excesso de visitantes.

Tudo isso continua sendo importante.

O turismo regenerativo dá um passo além.

A pergunta deixa de ser somente:

“Como posso prejudicar menos este lugar?”

E passa a incluir:

“Minha presença pode contribuir de alguma maneira para este lugar?”

O Ministério do Turismo vem abordando justamente essa transição, relacionando turismo regenerativo à restauração de ecossistemas, fortalecimento das comunidades e geração de valor positivo para os territórios.

E onde isso acontece na prática?

Talvez mais perto do que imaginamos.

No Ceará existe uma experiência especialmente interessante para compreender essa mudança.

Rede Tucum: quando a comunidade decide como quer receber o turista

No Ceará, a Rede Cearense de Turismo Comunitário — Rede Tucum ajuda a entender, na prática, uma maneira diferente de pensar o turismo.

Em vez de grandes estruturas turísticas determinarem sozinhas como um território será apresentado aos visitantes, as próprias comunidades participam da construção das experiências, valorizando atividades locais, cultura, alimentação e modos de vida.

Entre essas experiências está a Prainha do Canto Verde, em Beberibe, comunidade conhecida por sua trajetória ligada ao turismo comunitário e à defesa do território.

A lógica muda bastante em relação ao turismo convencional: o morador não aparece apenas como parte da paisagem que o visitante veio conhecer. A comunidade participa da forma como deseja receber o viajante e também dos benefícios econômicos gerados por essa visita.

Para quem viaja, isso também transforma a experiência. Em vez de simplesmente passar pelo destino, surge a oportunidade de conhecer melhor quem vive ali, seus costumes, sua relação com o território e sua cultura.

Prainha do Canto Verde: quando conhecer também ajuda a preservar

Entre as experiências associadas à Rede Tucum está a Prainha do Canto Verde, em Beberibe, no Ceará.

A comunidade tornou-se uma referência estudada por pesquisadores de turismo de base comunitária.

Ali, a discussão sobre turismo está ligada não apenas à geração de renda, mas também à proteção do território e à manutenção dos modos tradicionais de vida. Pesquisas sobre a Rede Tucum mostram justamente a importância da organização comunitária e do protagonismo dos moradores nesse modelo.

Isso muda uma ideia bastante comum:

o morador deixa de ser figurante da paisagem que o turista veio conhecer.

Ele passa a ser protagonista do turismo realizado em seu próprio território.

Turismo regenerativo não significa “turismo de caridade”

Essa diferença é fundamental.

O viajante não precisa chegar a uma comunidade acreditando que está ali para “salvá-la”.

Aliás, essa postura pode produzir justamente o efeito contrário do desejado.

Comunidades possuem conhecimento, cultura, economia, organização e prioridades próprias.

Uma viagem responsável procura respeitar esse protagonismo.

Você paga justamente pela hospedagem.

Contrata um guia local.

Compra diretamente de artesãos.

Experimenta a culinária produzida ali.

Respeita regras ambientais estabelecidas pela comunidade.

Escuta antes de fotografar.

E entende que está entrando no território de alguém.

Parece básico.

Mas essas pequenas decisões determinam quem realmente se beneficia do dinheiro movimentado pelo turismo.

E o turismo regenerativo não acontece apenas em comunidades

Esse é outro ponto interessante.

O conceito também pode aparecer em destinos conhecidos.

O Ministério do Turismo cita, por exemplo, iniciativas relacionadas à conservação em Bonito, no Mato Grosso do Sul, e ações envolvendo corais e gestão participativa em Maragogi, Alagoas, ao discutir caminhos para um turismo regenerativo no Brasil.

Portanto, não estamos falando necessariamente de viajar para um lugar remoto.

A mudança pode acontecer dentro de destinos turísticos tradicionais.

No mundo, a pergunta também está mudando

Durante muito tempo, medir o sucesso turístico significava comemorar números:

quantos turistas chegaram?

Quantos hotéis foram ocupados?

Quanto dinheiro foi movimentado?

Esses indicadores continuam importantes.

Mas existe outra pergunta surgindo:

o turismo está melhorando a vida de quem mora naquele destino?

Um lugar pode receber milhões de visitantes e, ainda assim, enfrentar degradação ambiental, aumento do custo de vida, descaracterização cultural ou expulsão de moradores de determinadas áreas.

É nesse contexto que turismo regenerativo, turismo comunitário e outras formas de turismo responsável ganham relevância.

São conceitos diferentes, mas compartilham uma preocupação:

o destino não existe apenas para servir ao visitante.

Como praticar isso na próxima viagem?

Você não precisa procurar uma viagem identificada oficialmente como “regenerativa”.

Comece fazendo perguntas.

Quem administra esse passeio?

O guia é da região?

A hospedagem utiliza fornecedores locais?

O artesanato foi realmente produzido naquela comunidade?

Existe algum projeto ambiental sério associado à experiência?

Fotografar pessoas é permitido?

As regras do lugar são respeitadas pelos visitantes?

E talvez a pergunta mais importante:

quanto do dinheiro que estou gastando permanece naquele destino?

Quanto mais respostas você tiver, mais consciente poderá ser sua escolha.

Depois dos 50, talvez essa pergunta faça ainda mais sentido

Na maturidade, a maneira de viajar também pode mudar.

Já não existe necessariamente aquela necessidade de colecionar destinos apenas para dizer que estivemos lá.

Uma viagem pode ganhar valor justamente pelo que aprendemos, pelas pessoas que conhecemos e pela relação que estabelecemos com o lugar.

Não é sobre abrir mão de conforto.

Nem transformar férias em trabalho voluntário.

Muito menos sentir culpa por viajar.

É simplesmente perceber que nossas escolhas também viajam conosco.

Onde nos hospedamos.

Onde comemos.

O que compramos.

Quem contratamos.

O que respeitamos.

Tudo deixa alguma coisa para trás.

Antes de ir embora, faça uma última pergunta

Todo viajante leva alguma coisa de um destino.

Fotografias.

Sabores.

Histórias.

Lembranças.

Talvez o turismo regenerativo esteja propondo apenas inverter a pergunta:

e o que o destino leva da nossa passagem por ele?

Pode ser lixo.

Pode ser pressão sobre os recursos naturais.

Pode ser apenas dinheiro concentrado em grandes empresas que pouco se relacionam com a comunidade.

Mas também pode ser renda para uma família.

Valorização de um artesão.

Trabalho para um guia local.

Preservação de uma tradição.

Recursos para conservar uma área natural.

E talvez essa seja uma das maneiras mais interessantes de viajar depois dos 50:

não apenas conhecer novos lugares, mas escolher melhor a marca que deixamos neles.

Continue explorando com o 5quentamais.TUR

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